Um marco na história esportiva de Pitangui em 1923
Em 1923, Pitangui viveu um acontecimento marcante em sua história esportiva: a inauguração do campo do Pitanguy Football Club, situado no lugar conhecido como Chapadão. O evento reuniu jogadores, dirigentes, convidados e um expressivo público, revelando a importância que o futebol começava a conquistar na vida social das cidades do Centro-Oeste mineiro.
A memória dessa inauguração é um precioso registro fotográfico histórico, cujo acervo original pertence ao IHP – Instituto Histórico de Pitangui. A imagem registra o encontro entre o Pitanguy F.C. e o União F.C., de Divinópolis, e constitui um documento de grande valor para a preservação da memória esportiva e cultural do município.
A fotografia apresenta uma vista panorâmica do campo, com os jogadores reunidos e uma numerosa multidão distribuída ao longo das laterais. Ao fundo, destaca-se uma estrutura elevada, semelhante a um pavilhão, também ocupada por espectadores.
Muitos aparecem portando guarda-chuvas, enquanto homens de paletó, chapéu e gravata, mulheres com vestidos longos e crianças compõem o público que acompanhava aquele momento.
Nesta imagem, mais próxima das equipes, é possível observar os jogadores reunidos para o registro fotográfico, vestindo uniformes brancos e listrados.
A disposição das pessoas, as vestimentas e as características do espaço esportivo oferecem um testemunho visual singular dos costumes e das formas de sociabilidade existentes em Pitangui na década de 1920.
A inauguração nas páginas de um jornal do Rio de Janeiro e uma imagem para a memória de Pitangui
A importância desse acontecimento ultrapassou os limites municipais. A inauguração do campo do Pitanguy Football Club também foi noticiada por O Jornal, periódico publicado no Rio de Janeiro. Na seção intitulada “Pitanguy (Minas Geraes)”, a publicação descreveu a festividade e registrou detalhes dos jogos, da recepção aos visitantes e das comemorações realizadas.
Segundo a reportagem, os representantes esportivos de Divinópolis foram recebidos festivamente em Pitangui. Durante a cerimônia, fizeram-se ouvir diversos oradores, entre eles Alcides Gonçalves e Sertório de Moraes, que participaram das homenagens relacionadas ao encontro esportivo.
A programação contou com duas partidas. No jogo preliminar, disputado entre o Pitanguy e o Sport Gymnasio Club, a equipe deste último venceu pelo placar de 3 a 2. O chute inaugural dessa partida foi dado pela senhorinha Yolanda Malaquias.
Já no confronto principal, entre o Pitanguy F.C. e o União F.C., de Divinópolis, o União saiu vencedor pelo placar de 4 a 2. A senhorita Elisa Saldanha foi responsável pelo chute inaugural da partida oficial.
As comemorações prosseguiram à noite, com uma soirée dançante oferecida aos visitantes no Hotel do Commercio, reunindo jovens e representantes da sociedade local. Dessa forma, a inauguração do campo não se restringiu à prática esportiva: transformou-se em uma programação festiva que articulou futebol, recepção aos visitantes e convivência social.
A realização desse encontro entre clubes de municípios vizinhos também se insere em um contexto mais amplo da história do futebol no interior mineiro. Na década de 1920, as partidas intermunicipais contribuíam para aproximar grupos esportivos, fortalecer vínculos entre localidades e construir novas formas de sociabilidade em uma região ainda marcada por características predominantemente rurais.
As fotografias preservadas pelo Instituto Histórico de Pitangui e a notícia publicada na imprensa carioca permitem recuperar diferentes dimensões desse acontecimento. De um lado, a imagem revela o espaço, os jogadores e a participação popular; de outro, o relato jornalístico registra os resultados das partidas, os nomes de participantes e a programação festiva.
Reunidos, esses documentos ajudam a compreender como o futebol se estabeleceu como prática esportiva e social em Pitangui, integrando a cidade a um circuito regional de competições e encontros. Também evidenciam a importância dos acervos históricos e da imprensa na reconstrução de episódios que, embora distantes no tempo, permanecem significativos para a memória coletiva.
Ao divulgar esse registro, o site Sertões de Minas contribui para dar visibilidade a uma página importante da história pitanguiense, valorizando o patrimônio documental e reconhecendo o papel do IHP – Instituto Histórico de Pitangui na preservação de testemunhos fundamentais sobre o passado da cidade.
Nota de esclarecimento histórico: a divergência entre as datas documentais
A análise conjunta dos registros disponíveis sobre a inauguração do campo do Pitanguy Football Club revela uma divergência cronológica que merece ser preservada e investigada.
De um lado, temos a notícia publicada pelo jornal O Jornal, do Rio de Janeiro, em sua edição de 8 de novembro de 1923, que relata a inauguração do campo, descreve as partidas realizadas e registra os festejos promovidos em Pitangui. De outro, dispomos de um conjunto de fotografias históricas pertencente ao acervo original do IHP – Instituto Histórico de Pitangui, cuja legenda manuscrita identifica o acontecimento como ocorrido em 21 de novembro de 1923.
Essa diferença suscita uma hipótese: considerando que a notícia jornalística já anunciava a inauguração como um acontecimento realizado antes de 8 de novembro, é possível que a data registrada na legenda da fotografia contenha algum equívoco. As imagens apresentam elementos compatíveis com a descrição jornalística, especialmente a presença das equipes do Pitanguy F.C. e do União F.C., de Divinópolis, e a concentração de público em torno do campo. Esses elementos sugerem uma possível correspondência entre os registros, embora não sejam suficientes, isoladamente, para comprovar que se trata do mesmo momento.
Por rigor histórico, mantemos registradas ambas as referências: 8 de novembro de 1923, como data de publicação da notícia, e 21 de novembro de 1923, como data atribuída à fotografia. A divergência permanece em aberto e constitui uma questão relevante para futuras pesquisas, que poderão recorrer à consulta de outros periódicos, documentos institucionais e registros do acervo.
Mais do que uma dificuldade de datação, essa discrepância evidencia a importância do cruzamento de fontes e da análise crítica dos documentos na reconstrução da história de Pitangui. Até que novas evidências permitam esclarecer a questão, as duas referências devem ser preservadas, sem que a hipótese de erro seja tomada como conclusão definitiva.
Referências:
Acervo original do IHP – Instituto Histórico de Pitangui.
Fonte jornalística: O Jornal. Rio de Janeiro, edição nº 1484, quinta-feira, 8 de novembro de 1923, p. 12. Hemeroteca Digital Brasileira – Biblioteca Nacional.
Charles Galvão de Aquino
Historiador — Registro Profissional nº 343/MG

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