A criação e a expansão das Escolas Normais constituíram uma das mais importantes políticas educacionais implementadas durante a Primeira República (1889–1930). Em Minas Gerais, especialmente após a Reforma João Pinheiro, de 1906, o governo estadual passou a investir na organização do ensino primário e na formação de professores, compreendendo que a modernização do Estado dependia diretamente da ampliação da instrução pública. Nesse contexto, as Escolas Normais assumiram papel estratégico ao preparar profissionais habilitados para atuar nas escolas públicas e particulares, difundindo novos métodos pedagógicos e fortalecendo o projeto republicano de educação.
Foi nesse cenário que surgiu, em Itaúna, a Escola Normal “Manoel Gonçalves”, fundada em 1922 por iniciativa da Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira. Poucos anos depois, em 1924, a instituição recebeu do Governo de Minas Gerais as regalias de equiparação à Escola Normal Modelo da Capital, reconhecimento que atestava a qualidade de seu ensino e ampliava sua importância no sistema educacional mineiro.
Ao longo de sua trajetória, a instituição passou a ser conhecida simplesmente como Escola Normal de Itaúna. Décadas mais tarde, incorporada à rede estadual de ensino, deu origem à atual Escola Estadual de Itaúna, preservando uma tradição educacional que atravessa mais de um século.
O ano de 1928 marcou uma das mais significativas turmas da antiga instituição que desempenhou papel fundamental na formação de professoras e no desenvolvimento da educação regional em Minas Gerais.
Embora sediada em Itaúna, a instituição atraía jovens provenientes de diversas cidades mineiras e até de outros estados brasileiros.
Entre as normalistas encontram-se estudantes naturais de Itaúna, Serra Azul (distrito de Itaúna), Cajuru de Itaúna (distrito de Itaúna), Luz, Tiros, Pará de Minas, Abaeté, Mateus Leme, Taquarassu, Barbacena, Dom Silvério (Bonfim), São João del-Rei e ainda de Palmital, no Estado do Espírito Santo. Essa diversidade evidencia o prestígio alcançado pela Escola Normal, que se consolidou como importante centro formador de professoras para diferentes regiões.
A direção da escola era exercida pelo Dr. Ovídio Nogueira Machado, contando ainda com um respeitado corpo docente composto pelos professores Dr. Antônio Lima Coutinho, Dr. Lincoln Nogueira Machado, Dr. Clodoveu Rodriguez de Oliveira e pela professora Maria Gonçalves Baeta. O paraninfo da turma foi Anselmo Barreto, enquanto a função de oradora da turma coube à normalista Maria José Percoppi, escolhida para representar oficialmente suas colegas durante as solenidades de formatura.
As fotografias das normalistas possuem, portanto, um valor que transcende o registro individual. Elas testemunham uma etapa decisiva da história da educação mineira e da emancipação feminina por meio da instrução. Cada retrato representa não apenas uma estudante prestes a concluir sua formação, mas uma futura professora que levaria os conhecimentos adquiridos em Itaúna para salas de aula espalhadas por diversas cidades, contribuindo para a expansão da escola pública e para a consolidação do ensino primário em Minas Gerais.
Desse modo, o álbum das normalistas de 1928 constitui um documento histórico de grande relevância. Além de preservar a memória das jovens que integraram essa turma, revela a importância da antiga Escola Normal “Manoel Gonçalves” na construção da identidade educacional de Itaúna e de seu entorno, evidenciando o protagonismo feminino em um dos mais importantes movimentos de transformação da educação brasileira nas primeiras décadas do século XX.