Revista do Instituto Histórico de Pitangui Volume 2 (2025)

Uma contribuição fundamental para a preservação da memória da antiga Comarca de Pitangui

 

A Revista do Instituto Histórico de Pitangui, em seu segundo volume, reafirma seu compromisso com a preservação da memória, a valorização do patrimônio cultural e a divulgação de pesquisas inéditas sobre a antiga Vila de Pitangui e sua vasta área de influência, que corresponde a grande parte do atual Centro-Oeste Mineiro. Mais do que reunir artigos científicos, esta edição demonstra a riqueza do acervo documental preservado pelo Instituto Histórico de Pitangui (IHP), revelando como fontes coloniais e imperiais continuam oferecendo novas perspectivas para a compreensão da história regional.

Abrindo esta edição, o leitor encontrará o estudo “O Sobrado do Capitão José Fernandes Valadares foi Câmara?”, de Israel de Jesus Borges Almeida. A pesquisa investiga um dos edifícios mais emblemáticos do patrimônio arquitetônico pitanguiense, conhecido como antigo “Prédio do Museu”. A partir da análise de inventários, livros de tombo, jornais e documentação administrativa, o autor demonstra que o sobrado exerceu efetivamente a função de Câmara Municipal, além de reconstruir sua trajetória desde residência de um importante comerciante português até sua transformação em espaço de poder político e patrimônio histórico protegido.

Na sequência, Lúcio Flávio Costa Melo apresenta “Pode a História de uma Veste ser Capaz de Vestir uma História?”, um instigante exercício de micro-história e genealogia. Partindo da simples descrição de um capote de baetão registrada em um inventário de 1813, o autor reconstrói a possível origem açoriana de João José de Mello, demonstrando como pequenos detalhes documentais podem revelar processos migratórios, redes familiares e aspectos culturais que atravessaram o Atlântico e chegaram ao interior das Minas Gerais.

O terceiro artigo, “O Funeral da Porca no Sertão do Pitangui (1798)”, de Charles Galvão de Aquino, conduz o leitor aos tribunais coloniais por meio de um curioso processo envolvendo a morte de uma porca, um bezerro e uma disputa entre vizinhos. Muito além do episódio pitoresco, o estudo revela importantes aspectos da administração da justiça, das relações de propriedade, da economia rural e da aplicação das Ordenações Filipinas, mostrando como conflitos cotidianos permitem compreender a sociedade mineira do final do século XVIII.

A revista também presta homenagem a uma das figuras religiosas mais marcantes da região com o artigo “Padre João Batista Porto – 2026 – 100 anos de falecimento”, de Hugo Henrique Aparecido Castro Machado. O texto resgata a trajetória do sacerdote nascido em território pertencente ao antigo município de Pitangui, destacando sua atuação pastoral, sua importância para a formação religiosa de Pompéu e sua influência sobre a comunidade local. A publicação enriquece essa narrativa ao transcrever notícias de jornais da época de seu falecimento, preservadas pelo Instituto Histórico de Pitangui, permitindo ao leitor acompanhar a enorme comoção provocada por sua morte.

Em “Testamentos e Sociedade Colonial em Pitangui: Práticas Jurídicas, Econômicas e Religiosas (1730–1820)”, Patrícia Gonçalves explora uma das mais importantes séries documentais preservadas pelo Instituto Histórico. A autora demonstra como os testamentos ultrapassam sua função jurídica para se tornarem fontes privilegiadas sobre religiosidade, relações familiares, patrimônio, escravidão, economia e cultura material, oferecendo um amplo panorama da sociedade colonial pitanguiense ao longo de quase um século.

O patrimônio rural também recebe destaque em “Fazenda Santo Antônio das Pitangueiras”, estudo que recupera a trajetória histórica de uma importante propriedade do antigo termo de Pitangui. A pesquisa evidencia a relevância das fazendas na ocupação do território, na formação econômica da região e na preservação da arquitetura rural mineira, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre espaços ainda pouco explorados pela historiografia.

No artigo “De Melgaço (Portugal) a Pitangui (Minas Gerais): a Origem dos Lobatos Pitanguienses”, o leitor acompanha uma detalhada investigação genealógica que reconstrói a formação de um dos tradicionais ramos familiares da região. A pesquisa evidencia como a documentação histórica permite reconstituir trajetórias familiares, compreender processos migratórios e fortalecer a memória das famílias que participaram da construção histórica de Pitangui.

A edição traz ainda um estudo dedicado ao Brasão do Instituto Histórico de Pitangui, que apresenta ao público a construção simbólica da identidade visual da instituição. O artigo interpreta os elementos heráldicos presentes no brasão, explicando seus significados históricos e sua relação com a missão institucional de preservar, pesquisar e divulgar o patrimônio histórico pitanguiense.

Preservando também aspectos da cultura tradicional, a revista publica “Receitas da Ponte Alta”, reunindo saberes culinários transmitidos entre gerações. Muito além da gastronomia, essas receitas representam parte do patrimônio cultural imaterial da região, preservando costumes, técnicas e memórias familiares que integram a identidade dos antigos sertões mineiros.

Encerrando a publicação, a seção “Entre Livros” apresenta indicações de obras relevantes para pesquisadores, estudantes e interessados na história regional, ampliando as possibilidades de leitura e incentivando novas investigações sobre Pitangui, Minas Gerais e seus antigos sertões.

Com essa diversidade temática, a Revista do Instituto Histórico de Pitangui – Volume 2 confirma sua vocação multidisciplinar e consolida-se como uma importante referência para os estudos históricos do Centro-Oeste Mineiro. Cada artigo demonstra que os documentos preservados pelo Instituto Histórico continuam produzindo novos conhecimentos, fortalecendo a pesquisa científica, valorizando o patrimônio cultural e contribuindo para que a história de Pitangui permaneça viva para as futuras gerações.

Desejamos a todos uma excelente leitura.

Editorial

O Sobrado do Capitão José Fernandes Valadares foi Câmara?

Israel de Jesus Borges Almeida

Pode a História de uma Veste ser Capaz de Vestir uma História?

Lúcio Flávio Costa Melo

O Funeral da Porca no Sertão do Pitangui (1798)

Charles Galvão de Aquino

Padre João Batista Porto – 2026 – 100 Anos de Falecimento

Hugo Henrique Aparecido Castro Machado

Testamentos e Sociedade Colonial em Pitangui: Práticas Jurídicas, Econômicas e Religiosas (1730–1820)

Patrícia Gonçalves

De Melgaço (Portugal) a Pitangui (Minas Gerais): A Origem dos Lobatos Pitanguienses

Lúcio Flávio Costa Melo

Fazenda Santo Antônio das Pitangueiras

Frederico Teixeira de Freitas Maciel

O Brasão do Instituto Histórico de Pitangui (IHP)

Vandeir Alves dos Santos

Receitas da Ponte Alta

 

EXPEDIENTE

Revista do Instituto Histórico de Pitangui – IHP

Volume 2 • Número 2 • Dezembro de 2025

ISSN: 2965-3584

Diretoria do Instituto Histórico de Pitangui – IHP

Presidente: Vandeir Alves dos Santos

Vice-Presidente: Hugo Henrique Aparecido Castro Machado

Primeiro Secretário: Frederico Teixeira de Freitas Maciel

Segunda Secretária: Ana Maria Nogueira Rezende

Primeira Tesoureira: Bruna Caldas Cordeiro

Segunda Tesoureira: Márcia Valadares Viegas Lopes

Conselho Consultivo: Marcelo de Freitas Assis Rocha, Shirley Nalu Ramos de Oliveira Navarro e Evandro José de Barcelos

Conselho Fiscal:  Francisco Régis Lobato, Edson Márcio Viegas Lopes e Heloísa Helena Valladares Viegas Lopes

Produção Editorial

Responsável: Instituto Histórico de Pitangui – IHP

Organização Editorial: Ana Maria Nogueira Rezende

Jornalista Responsável: Marcelo Freitas – Reg. SJP/MG 2.668

Projeto Gráfico: Luan Cristian F. dos Santos

Revisão Ortográfica e Gramatical: Maria José Valério Calderaro Teixeira

Fotografia: Daniella Fiama Costa, Jessica Lobato, Leonardo Morato, Luciene Resende, Israel de Jesus Borges Almeida e Acervos dos autores.

Charles Galvão de Aquino 

Historiador

Portal Sertões de Minas